Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Segunda, 27 de julho de 2009
VOCÊ É FONTE (mesmo quando não está minando, mesmo quando não está defronte)

levou minha ventura, levou mas não ficou: descartou, jogou fora: no lixo, na esquina, no meio fio, no ar, jogou no mar.
me deixou sem cartas, sem migalhas, sem quinas, sem meios, sem fios, sem ar, sem mar.
porto seco, sou eu. um navio, uma barcaça, uma canoa, uma jangada: esperanças massacradas até a morte, com requintes de crueldade.
o amor é mesmo esse banquete de mendigo. ainda sei o seu nome, distingo sua voz, espelho seu olhar, conheço seu corpo (os maciços e os esqueléticos tremores), ainda sei seu apelido, distingo seus rumores, espelho seus trejeitos, percebo suas sanhas (as poderosas e as frágeis artimanhas), conheço e reconheço sua estranha alma. o amor é o mesmo e esse.
levou minha secura. e me alagou de mormaço. e me fez salobro. e achou e me devolveu minha amargura. e redescobriu meu cansaço. e alimentou meu pouco sono. e ressuscitou os meus terrores insones.
levou o meu passado, roubou o meu presente e me assaltou o futuro. o amor é mesmo essa caldeira de rompantes, esse cadinho de destinos.
levou meu horizonte, levou mas não foi adiante.
me deixou com minha memória: só, sério, forte e fatídico como um elefante rumo ao seu cemitério.


marco/24.07.2009.

Terça, 23 de junho de 2009
ANATOMIA SEM AUTONOMIA

O amor é um músculo.
Às vezes se dói por esforço muito, às vezes se distende ou contrai, naturalmente. Outras vezes se atrofia perigosamente e é até preciso fisioterapia.
É claro que isso envolve nervos e tendões, tensões múltiplas. É possível até que envolva questões psiconeurológicas, um amor somatoneuromuscular.
O amor decide ser maiúsculo ou mínimo. Tudo dá-se às condições normais ou anormais de temperatura e pressão. Preciso esclarecer o que são as temperaturas e pressões do amor? De um amor? Pois é!
O amor é um rústico músculo. Pré histórico talvez. Mas em minha estória o amor é uma mácula que decalca todos os momentos e alucina a insônia com suas assombrações.
O amor me exercita e contamina: xarope, cicuta, chumbinho e vitamina.
Músculo e pústula.


marco/23.06.2009.
Sexta, 19 de junho de 2009
RESGATE?!

De novo, olhonolho!,
Saiba que não são todas as pessoas que são capazes de amar. Essa é uma verdade descientífica mas da qual se pode ter noção através, às vezes, de um simples olhar. E sim: eis um diagnóstico certo! Saiba disso: nem todas as pessoas tem qualidades imprescindíveis para amar. E há criaturas que já as possuíram mas que, misteriosamente, perdem seu poder de querer bem, de alinhavar um bem, querer em si, de ter o poder de conquistar novamente o fascínio, a dureza, a doçura, a crendice sã que é amar.
Acho que estou passando a ser uma destas. De tanto aprender com outras pessoas. Estou cansado de morrer. Mais de uma pessoa já me assassinou, em seus sentimentos, mais de uma vez. Estou exausto de estar morto. Preciso de alguém que me chame a renascer.
Mas acho que o caso é comigo. Por não ser posse de ninguém. Por somente querer ser possuído por um amor em êxtase ou tesão exacerbado. Acho que é comigo mesmo. E não acho ninguém assim, em ambos os casos.
Casualidades à parte, é comigo mesmo que tenho que ferrar ou folgar meus alicerces e alicates. O resto, se restar, é com você, que lê, me seqüestra as palavras e não envia nem hum bilhete de resgate!


marco/ 19.06.2009.
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