Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Terça, 12 de outubro de 2010
IMPLÍCITO

 

Quando eu grafo: ponto. É porque não há mais vírgulas, interrogações, travessões, parênteses, exclamações, chaves, não há reticências. E quando o ponto é parágrafo é sinal que mudei de clima ou de cisma ou de assunto. Quando eu grito: calma! É porque peço um alívio, uma pausa para respirar, uma síncope para o coração bater mais próximo do seu próprio ritmo. E não no batuque do querer, no sincopado do dia a dia, no hip hop da paixão, no funk do tráfego, no roque que rola no estresse diário da sobrevivência que se realiza entre o roubo e trabalho, no xote, no baião, no calango, nas incelências, nos blues ou nos jazzes, nos tangos ou merengues da vida. Quando eu sinto: amor. É porque: tenho dito. Ponto e saudações para o que não for o que preciso, para o que não precisamente se faça teor do sentimento que agora, nesta hora, reivindico.

Mas ao mesmo tempo, quando digo flor, posso estar dizendo: amigo. E em outro tempo, quebrando os compassos mais lentos, estarei escrevendo lua e em seguida lendo: mãe, dona de tudo o que eu sou desde sempre e rota do meu destino. Pode ser que eu clame: diabo! e este me seja um ser afetivo, e também que eu murmure: meu deus! e isto possa ser o prenúncio de tudo mais que virá a ser pejorativo.

Quando eu crivo: palavra. É somente um quando, nada definitivo. É somente, provavelmente, porque me visitou a semente de um presente lindo. Mas tão e só enquanto é quando, nada de infinito. Como: ‘Bom Dia!’ é a imagem de um sorriso, como a mímica é arte do improviso, como alegria é algo que nem sei a quanto tempo não me dá ouvido.

Mas eu te amo. E muito mais ao amor que me mantém vivo.

 

marco/10.10.10.

Terça, 5 de outubro de 2010
DECLINAÇÃO

  

Às vezes o amor se suicida

Mas quase sempre

Ele se despede

E depois se desmede

E reflete em outras retinas

 

Às vezes o amor perde as rimas

Mas quase sempre

Ele se despende

Vai atrás de outras redes

Mas repete e de novo declina

 

Às vezes o amor

É um rapaz insano

Em outras

uma monalisa

o amor é o princípio

de todo engano

e ao mesmo tempo

ele é a luz guia 

 

marco/21.09.2010.

Segunda, 27 de setembro de 2010
ENTRELAÇOS

 

Que força é essa

Que me apraz desfazer

Do certo e do errado

E depois de morrer reviver renovado

E cumprir promessas

Mesmo sem dádivas

Realizadas

 

Que moça é essa

Que me faz rescender

A sal e sargaço

E pagar pra ver e vencer o improvável

E apagar seqüelas

Mesmo aquelas

Mais acirradas

 

Que coisa é essa

Tão capaz de tecer

Em lã meus farrapos

E amanhecer novo sol nos meus lábios

Sem outra espera

Em mim impera

O amor da amada

  

marco/27.092010.

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