Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Quinta, 2 de dezembro de 2010
ALGO EM ALGUÉM

 

 

Existem amores que se atracam à carne como carcará, uma aterrissagem fatídica e o corpo exaurido, exausto, vilipendiado e marcado para sempre.

Existem amores que sobrevoam nossa aura, nossa alma, nosso corpo, e só pousam em momentos exatos, àqueles propícios, imprecisamente lógicos. E nos trazem ventura e bem querer, sem gastura ou desgaste, nos emprenham de horizontes e aléns, mesmo que por poucos dias ou minutos, mesmo parecendo rasos reúnem em nós os signos e os ritmos de todos os elementos, os carnais e os míticos, os limos de todas as pedras de rio, as cismas de todas as métricas de versos, o tino de uma caravela navegando ao largo para descobrir algo.

Existem amores que alcançam algo em alguém. Existem amores que descobrem algas e corais e conchas de pérolas. A mim me agradam todos os amores, os verdadeiros, sensuais ou cerebrais, sexuais ou platônicos. Gosto de como me vem e como vou a eles. Amo o amor por seu mistério atraente: quando é ardente, quando é cálido, tanto safado como inocente, existem amores sagrados, profanos, escravos, independentes.

Existem amores amáveis e detestáveis.

Existem os amores finados e os sobreviventes.

 

 

marco/28.11.2010.

Niterói - RJ

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