Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Quarta, 08 de fevereiro de 2012
SEM VERSO



Às vezes o amor dá trégua quando se cansa de ter régua, de se esquadrinhar por entre células sem jamais chegar ao todo. Às vezes o amor dá basta pois que se exausta de sua cáustica jornada drástica. Às vezes não tem nem porque o que eu teimo em repetidamente dizer: o amor é um troço esquisito: vezes ícone místico, outras desprezível mendigo, o amor é verdadeiramente um abalo sísmico.

Que quem não sentir não treme, quem não se abalar nem se tocou, o amor é só para quem sente, para quem geme, para quem vibra com seu estertor.

Mas torço para quem ainda teima e o deseja e ainda almeja seus dons de êxtases e de poder, contendo em si os máximos de querer as delícias dos delírios ou mesmo os charmes do pudor. Mas o amor é para quem não medra, é para quem tem sede, para quem tem fome, para quem quer terra à vista, horizontes, e não só navega.

Confesso que às vezes é fraca a rima, que a frase é demais longa ou curta, e que às vezes a poesia trafega na noção entre o bem e o mal, coisa que o amor não tem haver ou a ver com isso, nunca disso nem toma juízo.

É que ás vezes o amor é justo, em outras é carrasco omisso, por vezes o poeta é louco, seus versos são toscos, seu ritmo é fútil e o estilo promíscuo.

Assim como todo amor quando verdadeiro sabe porque mente, briga e rasga, vence ou perde, canta e dança, reza e pede, jura e esconjura mas depois sempre admite: melhor do que ser primeiro, o melhor é ser derradeiro, ainda tentando ultrapassar dos limites. 

 

marco.

03.01.2012.

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