Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Sexta, 25 de maio de 2012
AS VEZES

 

Às vezes é preciso longas conversas ou rios ou estradas para se chegar a algum lugar.

E às vezes é incompreensível entender que já chegamos, há muito tempo, aonde pretendíamos ir.

Assim sou eu e é você, assim é o amor em seus totais e ínterins.

Nunca é tarde para voltar de onde nunca fomos, sempre é tempo de desaguar em nossa própria fonte.

Às vezes é propício o jogo rápido, o jogo de cintura, o momento exato de sair da roda, de deixar o par e partir para outras danças, horizontes, novos ensaios de mexer os quadris.

Assim somos nós em nossos arroubos, assim é o amor que se faz doido e mata e castra e maltrata, depois não paga multa nem imposto.

Mas nunca é cedo demais para atravessar as conversas ou os rios ou as estradas e encontrar do outro lado o sentimento oposto, aquele que tem outro sotaque, que cheira diferente, que tem outro gosto.

Na verdade, sem ter falha, todo dia, o às vezes se atrapalha e se torna sempre; e o sempre não perdura e se surpreende sendo só às vezes. E nessa inconsistência dos eternos e momentâneos, tudo pode ser, tudo pode estar, se algo morrer pode até ressuscitar.

Assim nos fazemos eu e você, assim também se faz o amor, de brechas e lampejos, de flancos e trejeitos, frases feitas e xingamentos insanos, chamegos fantasiosos e tentativas de homicídios heterodoxos.

Como se fosse o mal uma novidade, como se o bem não tivesse brevidade.

Todas as vezes são cada uma.

Assim como eu e você, pessoas únicas. 

 

marco.

24.04.2012.

Sexta, 25 de maio de 2012
VÍCIO



O amor que passou

É um som sem ritmo

Dele não se faz mais canção

Fica sendo só um ínfimo

Eco íntimo

 

O eterno amor

Que se findou

É um desmando

Do empírico

 

Se acabou mal acabado

Já nem lembra seu início

Parece até que não houve

Mas dói como um sacrifício

 

O amor que se perdeu

É aquele que foi lago

Mas também um pleno salto

Do precipício 

 

marco

24.04.2012.

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