Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Quinta, 20 de dezembro de 2012
VOCÊ

 

não quero ser dono nem proprietário de nada. nem de casas ou casais ou apartamentos, muito menos de gentes. ou plantas ou animais.meu amor não tem limites tão únicos, incríveis ou irrazoáveis.não me dou o direito nem o esquerdo de ser eleito para ser inexpugnável.sou um homem comum que luta para que o seu amor seja real, correspondido e inexoravelmente interminável.

você não é uma palavra solta, você é o dicionário.

20.12.2012.

 

Sexta, 14 de dezembro de 2012
EXPOENTE

 

o amor voa mas também rasteja. tanto o mais alto condor como os bichos mais rasteiros. cobras e lagartos, vermes e ratos compõem o amor, andorinhas e jatos e foguetes interplanetários também são parte do amor.

o amor é um tatú que se caça por dentro da terra, é um pardal que não se laça, um uirapurú exilado na mais profunda floresta. mas o amor também é submarino como os peixes e crustáceos, anfíbio como alguns barcos de guerra e serenas sereias.

o amor é um ente sempre estrangeiro, que quando nos visita nos mostra mais a língua do sabor do aquela da compreensão; que quando viajamos até ele, nos mostra suas delícias folclóricas mais do que a extrema pobreza que ali também habita.
o amor é a vida real e o sonho infinito, o miserável fiel e o totem do ídolo. é a luz da verdade e o obscuro mito, a droga do viciado e a droga de curativo. o amor tem marés e luas: novas, mortas, minguantes, rasas, crescentes, cheias; o amor tem estações de clima e de trilhos: verões, cancelas, frutas, encruzilhadas, agasalhos, pontilhões, flores.
o amor é uma fortaleza frágil, de uma natureza trágica e heróica, pleno de feitiçarias e simpatias, dengos e suicídios mágicos, ressuscitamentos inacreditáveis. Está em nós e nos dispõe, se vai de nós e nos exila, nos expõe quando grita, depõe contra e a favor, silencia; se impõe e reverencia, expoente da fórmula da vida.
O amor é suspeito de fraudes mas absurdamente sincero, embora claudicante é essencialmente vero.
14.12.2012.

 

Terça, 11 de dezembro de 2012
ROL

 

Uma coisa à qual demos o nome de amor. Nos testa das plantas dos pés às pontas dos fios da cabeça, em autópsia. Eu sei.

Porque já estive no limite da atmosfera e no fundo do poço sem fundo lá na fossa mais profunda, quase no centro da terra.
A coisa que nominamos amor. Nos prova com sábio paladar e nos põe à prova a todo momento, à mesa. Eu sei.
Porque gozei de toda doçura e meiguice e também de tanto rasgo e amargor; olores de jasmim e manjericão, de fezes e cadáveres.
Uma coisa é amar, outra coisa é conviver com o amor. Participar de sua substância, acompanhar sua fórmula que é sempre transformada por 
nós e por tudo mais, pelo desejo ritmico e pelo o que move o mundo.
Outra coisa é praticar o amor em seu signo cotidiano e impuro. Cismar que um sentimento é designo e ultrapassar os limites tanto do amplo eterno como do imenso íntimo.
Uma coisa é às vezes a mesma coisa, feito como quando as retas se encontram no infinito. Outra coisa é por vezes a mesma coisa, como quando nós paramos de pensar no divino e podemos desfrutrar em nossas vidas e corpos e mentes de um mínimo rol de ensejos ínfimos.
11.12.2012

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