Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Segunda, 29 de julho de 2013
AMO



há coisas que podem ser sentidas. há outras que precisam ser ditas, exclamadas, escancaradas. coisas leves, sutis. coisas das barras pesadas. coisas íntimas, confidências, pecados pragmáticos juvenis, orgias filosóficas da maturidade.
há coisas finalmente perdidas e outras que podem ser eternamente retomadas. coisas finamente vividas ou grossamente exacerbadas. hão coisas.
então, eu tomo conta de mim, você toma conta de você, a gente se divide quando for declive, se soma quando for a trouxa, se diminue quando seca o açude, se multiplica quando for a fé verídica; quando vier ou for, o caso a cada caso. e nós nos tornamos casos, tomamos conta de nós, somos tomos individuais, gomos separados. querendo ser uma enciclopédia, uma livraria, uma biblioteca. ou simplesmente uma fruta: eu com teu cheiro, você com meu gosto, sem outros aromas ou demais desfrutes, calmamente ser: sementes simplesmente, onde o amor se nutre. hão coisas. e entre nós, além de muitas, às vezes me parece, todas são resolutas.
eu te tomo e você me toma, tomados somos absolutos. é esse amor que de grande e generoso, eu devo e quero dizer ao mundo.



29.07.2013.

Quinta, 24 de julho de 2013
ACONTECE

 

como acontece em todas as nossas, nem tudo é verdade na vida do poeta. às vezes é só uma impressão de momento, uma rusga de alegria, um lampejo de desespero, um engodo de felicidade. e dura um átimo, suficiente para grafar na folha as palavras voluntariosas, curtas e espessas, dodecassílabos frágeis, réquiens ou elegias, poesias de poderosa ficção nos ditames dos poetas.

nem tudo é imaginação, ilusão ou mentira nos poemas. às vezes é não-ficção ou autoajuda ou catarse surrealista ou novela em folhetim, o texto que brota da ponta da pena, da esferográfica, do grafite, do teclado, do lápis de cera.

como acontece com todos os nossos, nem tudo são punhais ou orquídeas nos amores do poeta. vezes doses comprimidas de alegria, outras vozes aos berros e gemidos expulsando de perto toda e qualquer chance de felicidade.

como acontece e se sucede a cada momento em todos os dias, nas vidas das pessoas mais amáveis, na rotina das gentes mais sombrias, na minha e na sua, também há uma palavra sem verdade, uma verdade sem palavras, uma enorme possibilidade de nos calarmos mas uma fatal vontade de dizer o que não devíamos.
 

25.02.2013.

Sábado, 20 de julho de 2013
AS ESSÊNCIAS, OS EXTRATOS, OS ESTRATOS



o amor é essência,

o que se extrai do amor é extrato,

como se vive o amor é estrato,

assim diz o dicionário.

 

para sentir a fragrância,

chegar no essencial,

extravasar o amor,

é necessário:

 

paciência de sentinela,

ciência de relojoeiro,

dedicação de ourives,

habilidades de mágico.

 

o amor é essencial

mas tem acepções

e sentidos

excepcionalmente inexatos. 

 

15.07.2013.

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