Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Terça, 31 de dezembro de 2013
DOIS MIL E QUATORZE



o próximo momento

em meio à zero hora

invento de fronteira

extenso de esperança

para próximas auroras


o instante do festejo

passado que evapora

futuro é um ensejo

esqueça das lembranças

o sonho é o que vigora


o estalo de um beijo

os fogos na abóboda

um tempo igual a outro

o mundo se movendo

para sempre desde outrora


é a hora desse reveinhom

se revelar

no exato segundo

quando um ano torna-se nano

e o próximo imenso

coisa de insanos

nossos sentimentos


o clique que acende

mil desejos

o cismo que pára o tempo

por um ínfimo

e o devolve a nós

em cataratas


para não desistirmos

para não pararmos na pista

para irmos sempre além

para não nos perdermos de vista


é a hora dessa viração

se variar

e o íntimo desejo

não se deixar para trás

nem para o lado

nem para frente demais


aquele tal momento

que se crismou

que fosse um clímax


talvez seja um êxtase

ou nada mais

que um ressoo de relógio

ou mil sinos


talvez esteja só em nossos pulsos

ou nos dobrados sons

dos hinos

dentro de imensas catedrais


agora,

aquele momento

de amanhã

é ontem

 

"interessante a maneira do tempo

 ter perdição,

 quer dizer, se perder no correr,

 decorrer da história,

 glória, decadência, memória,

 era de aquárius

 ou mera ilusão".

 

Gilberto Gil

"Jeca Total" - 1975.

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