Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Sexta, 18 de setembro de 2015
GRÁVIDOS

 

eu quero o ótico
do amor
contido
e solto
dentro do teu
vestido

eu quero o ótimo
do amor
avulso
e agregue
centro do mesmo
pulso

eu quero
hoje
e não póstumo
o amor
que segue
o sol e a lua

que muda
os polos
mas se encontra
em gravidade
entre a vida
minha e sua

o amor
que nos habita
e veste
pois dia a dia
nos engravida

17.09.2015.

Sábado, 12 de setembro de 2015
LUTO



Lutar contra o inexorável.
Morte de gente, de bicho, de planta, de sonho, de amor.
Há quem diga que sem luto a dor não passa. Tenho dúvidas se é adormecendo os sentidos ou lutando para sanar todos os indícios que a gente se livra do vício de ter.
Quando o nosso possuir nos toma em possessão, aí não há velas, incensos, rezas, incelenças, banhos de folhas, meditações, medicações que nos livrem.
Mas lançar mão disso é lutar. Lançar é disparar o arco da flecha.
O amor luta para bem viver, para sobreviver, para além viver. Mas morre. Por doença grave ou acidente tosco.
Como todos nós que, crédulos, alimentamos a vida eterna. Das gentes, dos bichos, das plantas, dos sonhos, do amor.
Se dispor de luto é lutar, vestir branco ou arco-íris, maquiar a extrema dor, chorar em público, fazer missa de alma ausente, rever fotos da vida passada, repassar qual a última palavra, quando o derradeiro beijo e a ração no comedouro e a água da regada e a boa dormida e os perfumados lençóis amarrotados.
Luto pelo luto.
Tanto vestindo meu corpo imundo de raiva, como despindo minha alma incrédula de esperança.
O luto é tudo. 


12.09.2015.

Sábado, 12 de setembro de 2015
VATE



a mulher que amo é linda, potente, madura, sábia, colorida de todos os matizes, maestra da firmeza de todos os teares. e tece sua vida, e mede nossa vida, não por segundos mas por milhares. a mulher que amo tem a perfeição da simplicidade da melhor apoteose e o cúmulo do risco do pior desastre. e é pequena, nunca menor; e é gigante, nunca demais; e é mestra e estudante, amadora, amável e amante, essa mulher que eu amo não cabe em nenhum quilate. e brilha como chama na escuridão e transparece feito lua nova no céu, presente disfarce. vai e vem, desvai e desvem, maré que sabe.
a mulher que amo é vate.

11.09.2015.

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