Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Quarta, 12 de agosto de 2009
AMOR É MORA (que viva o quanto quiser, morra quando for a hora)

O amor me deve quilômetros de combustíveis para ir além. E eu lhe devo milhares de memórias que falsamente confesso que não tenho, trilhares de lençóis de lágrimas que eu juro que jamais verti, tectônicas viagens, mente e corpo, que absolutamente finjo que não vivi e mais, muito mais: surreais miragens que, eu sei, foram verdadeiras; mas porém o amor me nega seu esteio, quando eu não sigo a regra e, talvez confuso ou inocente, como não lhe nego nada, nada dele acoberto. O amor me deve absurdos de milênios, se eu fosse contar em tempos. Mas o amor me deve, deve, deve. Vê-de: o amor me mede onde eu somente peço: dê-me.
[ Jogo de palavras, lavras que pago ou deixo? Larvas em que nado e eu nem peixo? É muito fácil, pelo menos para mim, enunciar palavras e formar frases e cortar versos e fazer que alguém, qualquer alguém – não que preciso seja a minha pessoa amada – que alguém acredite que meu dizer, que o meu escrito, que o meu prazer ou meu grito, ou o meu grito de prazer – que acredite que isso (assim, de repente, sem mais nem menos), seja uma verdade universal. Então tá! Então tal. ]
Ah eu que sou devoto não me devo nada e nem a ninguém ou a nada, deixa eu te dizer: já chorei tudo o que tinha para aguar, já penei tudo o que teria para peneirar, faço versos rudes porque estou cansado de pensar. E de cru basta o meu corpo nu e solitário nesta cama, coisa ilesa de qualquer perigo ou crença, mas também imenso em sua solidão monumental. Da qual só sabe mesmo é esta criatura que sabe que muito ama, e que agora vos fala!
Falou.


marco/07.08.2009.

Domingo, 9 de agosto de 2009
JANELAS ABERTAS Nº?

sim,
eu deveria abrir
os sótãos e os porões
em chamas
para tentar salvar
as almas e monstros
que me habitam.

eu ficaria

como assistente ileso
como viúvo tenso
pela herança.

sim,
eu deveria pagar
as contas de todos os terços
os umbigos de todos os berços
os arcos de todas as cores
os marcos de todos os amores.

mas
eu prefiro
abrir as janelas
para que entrem
todos os ventos
e incêndios
do futuro.

marco/01.08.2009.
Quarta, 5 de agosto de 2009
SUSPIRO

o dia
que era claro e vívido
quedou cinza
túrgido.
mas eu cá,
em meu íntimo,
inda te vejo e sinto
linda.
linda e úmida.


marco/05.08.2009.

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