Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Quarta, 8 de julho de 2009
AMOR DÁ TRABALHO

Você havia, realmente, plena razão quando um dia, qualquer, me disse: o trabalho é o melhor remédio para distanciar o mal de amor, os males familiares, os instáveis relacionamentos sociais.
É claro, obscuramente, que você tinha razão. Tenho em mim, hoje, esta certeza. Me exacerbando de competências, me totalizando de afazeres, vejo que não me fere a carne e a emoção o amar você. Melhor ainda, muita vez nem sequer me lembro de lembrar de você. Mas, como reza a física básica, toda inanição tem uma desreação igual e contrária, contínua e não quantitativa nem quântica.
Pois então, quando reacredito você, choro de dar dó (dôo a mim mesmo), juro que nunca mais me apaixono (juros só pra mim mesmo), quase morro de desilusão (morro só em mim mesmo).
Gostaria, mesmo, que você tivesse realmente, obscuramente, mesmíssimamente, razão. Mas não. Foi só um lapso de interpretação. Não há como eu depor contra o amor. Então me deschoro mais e me reapaixono mais e desmorro ainda mais e mais.
E ainda mais me retalho, batalho, trabalho pelo meu amor.
marco/07.07.2009.
Domingo, 5 de julho de 2009
DE NOVO, OLHO NO OLHO: TANTA LUZ!

 

Assim como o peixe espelha o sol

Em seu pulo acima do mar

Que espelha o céu infinito

Assim tanta luz

Que meu coração se prateia

Se doura, azula e esverdeia

Brilhando por sua pessoa

Eu vejo o amor

Como a mais verdadeira das luzes

Por tudo a que ele conduz

Por campos que ele semeia.

  

Assim como a aranha emenda o fio

Em seu laço acima do ar

Sustenta o véu dessa teia

Assim tanto zelo

Que meu coração se comove

Apura, exulta e remove

Montanhas por sua pessoa

Eu tenho o amor

Como o mais verdadeiro trabalho

Por mundos que ele constrói

Por tanto que ele alimenta.

  

Assim como o olho explode em cor

Nessa cor a aura do ser

Que vive além do visível

Assim tanto bem

Que meu coração se contenta

Se cora, dispara e inventa

Mil rumos por sua pessoa

Eu sinto o amor

Como a mais delirante das coisas

Por tudo o que ele me dá

Por certo por ter tanta luz.


(Paulo Machado/Byafra/Marco Valença).

Sexta, 3 de julho de 2009
ASTERISCOS

o que eu aprendo com o amor é estar sempre a postos para toda investida, qualquer armadilha. o que apreendo do amor é esse peito escancarado sempre prestes ao colapso de alegria ou desespero. é esse jeito de ser: tão descartado que nem trunfo nem coringa vão embaralhar o que tenho nas mãos: razão pura e simples e intensa de paixão. matéria de se garimpar, já te disse, material de ourivesaria. bordo a vida como um broche que se sustenta na pele. com todo alfinete e brilho que for necessário. a bordo da vida como um taifeiro aplicado: atendendo ao amor a todo instante e medida. com o impossível de ser remediado e todo remédio prescrito e inventado. no que o amor me dá lição é no beco sem saída: ter sempre que escapar, não importa usando que arma, truque, não importando qual seja a corrida. no que o amor me toma a lição é no renovar que excita: ter que desdobrar pessoas, lugares, canções, sem importar como, desde que amor seja a sempre mesma rima. o que o amor me faz é uma diária sabatina. me ensina a achar o ouro e toma a minha pepita. o que eu aprendi contigo é poder ser menino se desmembrando do homem, é poder saber ser sincero me desfazendo do orgulho em busca do que venero. o que você me ensinou é sair sem fazer barulho, deixando tranquilidade, bênção, apuro. é vir de onde estiver e remontar num minuto toda obra de amor, todo clima de paixão. e acima de tudo, além das estrelas a mil anos-luz da atmosfera, o que eu aprendo contigo é a ser humano, único, valioso, midas do meu destino.

marco/1978.

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