Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Terça-feira, 12 de maio de 2009
VÔO CEGO

Eis que então, diante de nossos olhos, surge a canção Vôo Cego, de Paulo Ciranda e Marco Valença, ilustrada com fotos de marco e interpretada por paulo. A letra pode ser lida na postagem anterior a esta.

Hoje peço que nossos olhos sejam mais ouvidos.

Quem me dera ter o olfato e o paladar e ter o tato para ser todo, meu amor aqui e agora, em meus cinco sentidos. 

marco/12.05.2009.

Segunda, 11 de maio de 2009
QUEM TEM OLHO É REI

Me olho no olho e desde sempre
colho aquilo que escolho
E seco e molho o menino e as meninas dos olhos
E rio e choro acidentes fascinantes e desastres medonhos
Me olho no olho e desde sempre
Sou um cachorro sem dentes
Um pródigo sem nascente
Um protótipo inconseqüente
Um falso cão sem dono.
Me molho nos olhos
Mas no que transpiro
Também evaporo.
*
Mas te sussurrando ao pé do ouvido ao ombro do olhar: há algum muito tempo creio que de todas as canções que já escrevi, esta com música de Paulo Ciranda (abraço, Parceiro!) não sei de que data, é o meu maior espelho:


VÔO CEGO

Sei
Muitas vezes foi assim
Desisti ou fui por ir
Outras tantas nem tentei

Sei
Quantas chances que não vi
Fiz que não, fingi que sim
E no fim, nem...

Eu sei que deixei
A vida correr
Por todo esse tempo
Feito um projeto
Só de sobras de obras
Que nunca
Que eu me completo

Eu sei que voei
E a vida se fez
De nuvens de areia
Feito um deserto
Quantas vezes foi pra mim
Um vôo cego
 
Tantas vezes me perdi
Num vôo cego
Toda a vida é pra mim
Um vôo cego
 
 
p.s.: fico devendo o áudio.
Segunda, 11 de maio de 2009
CUSTO E BENEFÍCIO / CUSTA E BENEFICIA

Olho no olho tá difícil até
de conversar com meus espelhos,
com os focos das lentes de meus óculos,
com meu tímido umbigo,
com os meus grisalhos pentelhos.
Mas a vida segue, simples e complexa,
d’hoje e d’antanhos;
minha íris olha só o pires branco
não o teu olho verde;
mas a vida serve: de coisa alguma
ou de nada um pouco,
de porra nenhuma ou de coisa pouca,
de sério sujeito ou de louca porra.
Mas a chuva seca e a torrente jorra;
folha que floresce quando a raiz podra.
Justo que maduro o amor se ignora,
só porque perdeu causa e consciência,
então esqueceu porta e moratória,
sem ter paciência, pena e lenimento, sem rever memória.
Mas a chuva torna e a corrente medra;
folha que esverdeia quando a raiz torra.
Justo que adulto o amor não adora,
só porque venceu data e permanência,
então pereceu por não mais história,
sem ter mais ciência, clima e alimento, segue sem vitória.
E a vida segue mas tá difícil costurar meus artifícios de amar.
Olho no olho eu te digo
– embora seja sempre seqüela a sequência bela de te olhar:
Felicidade eu não vivo mas tão infeliz eu não estou.
E nem sei o que prefiro:
Se quero ser um vivomorto ou o morto vivo que sou.
E tudo é custa do amor, e tudo questão de dúvida .
Quem não amou de paixão, quem não chorou suas dívidas?

m. 06/05/2009.
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