Olha só!, é um blog olho no olho, quero dizer, palavra no ouvido, grito no espaço, segredo e colapso público. É pra conversar um pouco pois é conversando que a gente se entende. Um pouco. Em tempo: todas as fotografias são do mesmo autor dos textos.
Quinta, 5 de março de 2009
VAI VER QUE É ISSO

Nunca sei o que está começando ou acabando.
O fluxo é um bruxo que não me deixa,
não me deixa parar. Para entender.
Nunca sei o que será início ou o que estárá findo.
Sei quando falta paciência, sono, dinheiro, alegria;
sei quando acaba a noite, a bebida, o papel higiênico. Nunca
sei o que está acontecendo, mal sei a hora exata: tenho uns sete relógios marcando, macerando números desiguais: no celular, na cabeceira, nas telas da tv ou do micro, na parede da cozinha, no microndas.
Mas é preciso saber?
É preciso o saber?
O fluxo, se é o tempo, não é a vida. Se for a vida, então dá um tempo!
Senão me enforco de angústia e me esgano de agonia e me enfado de aceleração e me engasgo de esperança.
Olha só: cheguei à beira do fim do ancoradouro. Não há barcos. Mas há mar. Estou parado num extremo de trilha, de frente para o infinito. Posso nadar. Posso esperar uma condução. Posso. Posso esperançar.
Quero?
Não quero nem saber. Já disse pra você: não sou início, não sou fim. Talvez seja seu meio, quando você ilumina o ambiente e me dá pão e água e sexo e conselhos.
Uns eu vou urinar e descomer, outros eu vou esquecer e gozar.
Nunca sei o que está terminando ou principiando.
Vai ver que é porque não sou nem terminal nem príncipe. Vai ver.
Vai ver e depois me conta.
Sim?

marco/05.03.2009.
domingo, 1 de março de 2009
28.02.2009

Ainda bem que acabou. Já não agüentava mais o dia vinte e oito. De fevereiro. Às vezes é difícil tolerar um dia inteiro. E ainda mais um dia último de um mês que nem inteiro é. Conclusão: eis me aqui de saco cheio. Foram tantos telefonemas inúteis, tantos fonemas fúteis, sem nenhuma rima que preste!
Olha só: ‘eu vejo o futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades’, citando Cazuza. E mais nada. Só vejo lindos sonhos cobertos de trapos, perfeitas intenções curativadas com encruzilhadas de esparadrapos.
Ainda bem que acabou, já não agüentava mais esse dia que passou. Agora é primeiro, de março, nome de rua, data tão nobre que ninguém sabe nem porque virou endereço. Só quanto tem festa de aniversário da cidade do Rio de Janeiro.
E a vida segue, como sempre eu te digo. E a vida continua, ‘esse é um dito que todo mundo proclama/o consolo dos aflitos/e a desilusão de quem ama’,como cantou o Paulinho da Viola.
Mas falar de amor – esse luxo – a gente fala depois. Qualquer dia, quem sabe....

marco/01.03.2009
sábado, 28 de fevereiro de 2009
CÓS E BAINHA

Mal e porcamente. Foi a expressão que me disseram.
Olha, cá pra nós, aceito bem o mal mas porcamente é demais pra mim.
O que é que se quis dizer com isso? Eu só perguntei: Como é que vai a vida?
Juro que pra mim é demais uma resposta assim tão negativa e suína.
Mal e porcamente?
Me deixe, me inclua fora dessa, me poupe, me diga que eu não ouvi!
Porque tamanha agressividade contra si mesmo?
E ainda mais é uma questão de higiene. E muito provavelmente de higiene mental.
Essa pessoa eu nem quero ver ou ouvir, tá me fazendo mal, tá me sujando os sentidos. Só quero quando estiver Bem e Limpamente.
Quando trouxer o bom bril e o detergente.
Creio que fico revoltado à tõa e inocentemente. Mas isso é coisa que se diga?
Cá para nós, o que é que tem a ver/haver
a sianinha com o retrós
ou a bainha com o cós?
Me deixe!
Me basta de anzol que eu não sou peixe.

marco/27.02.2009.
sexta-feira de cinzas.
Páginas
<< Início  < Anterior 183 184 185 186 Próxima >  Última >>